quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Palavras loucas, orelhas moucas...



Trouxe aqui à liça, na última postagem, publicada no passado dia 14 de Agosto, a situação de risco aparente em que se encontra a TERNISA. Desde então, a única reacção que chegou ao meu conhecimento foi publicada num blogue da “concorrência”, o “Portal de Nisa”, do meu caro amigo Mário Mendes, dando conta da posição assumida pelos Vereadores do PS acerca deste assunto, publicando a declaração de voto do Vereador Sena Cardoso aquando da discussão do Relatório e Contas da Ternisa referente ao ano fiscal de 2010.
Como se diz agora por aí, “novidades, só no Continente”, uma vez que esta declaração é anterior há intenção anunciada pelo Governo de encerrar as empresas municipais em falência técnica. Decorreu uma Reunião de Câmara no passado dia 17 e o assunto não foi debatido. Saiu a edição de Agosto do “Jornal de Nisa”, onde os partidos com representação na CMN têm um espaço disponível, e o assunto não foi debatido.
A Ternisa corre o risco de encerrar, raro é o dia em que me não chegam rumores de mais uma pequena empresa que encerra, o concelho perdeu 14,4% da população residente em 10 anos, com freguesias a perder quase 40% da sua população, e os nossos eleitos, certamente preocupados com questões mais graves e urgentes, nada têm a dizer à população.
Voltando ao espaço dedicado a CDU, PS e PSD no Jornal de Nisa, é curioso que, tanto na edição de Julho quanto na de Agosto, nada seja referido que diga directamente respeito ao concelho: a CDU disserta em Julho sobre as medidas acordadas com a “troika” e em Agosto faz publicidade de borla à “Festa do Avante”, o PS pespega-nos em Julho com o discurso de vitória de António José Seguro nas recentes eleições do PS, para em Agosto tecer considerações, referindo a opinião de outros, sobre a suspensão do TVG, e, por último, o PSD, tenta em Julho explicar-nos como é que se “cozinham” as decisões do partido no concelho, distinguindo muito bem este de quem o representa nos órgãos autárquicos, enquanto em Agosto nos deleita com um tratado sobre autarcas maus e bons e as respectivas remunerações.
Meus caros Esmeralda Almeida, Marco Oliveira e António Franco: se os meus caros amigos escrevessem crónicas para um jornal nacional estava tudo muito bem, mas escrevem para um jornal local, cujo único propósito é informar os naturais e residentes no concelho acerca do que se passa no mesmo. Para assuntos de política nacional temos inúmeros meios à nossa disposição e, francamente, o que se passa dentro dos vossos partidos não me interessa minimamente. Deixem-se de frescuras e dissertações ocas, que temos por cá assuntos de sobra para debater!
Já terão reparado que utilizo bastas vezes os riquíssimos provérbios em que a língua portuguesa é fértil. Deixo-vos com mais dois: “Com o mal dos outros, posso eu bem!” e “Palavras loucas, orelhas moucas.”.
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PS: já depois de escrita esta postagem, acedi à página electrónica da CMN e verifiquei que a situação da Ternisa está agendada para Reunião Extraordinária a realizar no próximo dia 29 de Agosto. Já era tempo, e não retiro uma vírgula ao que escrevi.
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imagem daqui:http://natchobox.blogspot.com

domingo, 14 de agosto de 2011

Dias contados para a TERNISA/TERMAS DE NISA?

"Metade das empresas municipais poderão ser extintas"

"(...) O Governo está a preparar legislação com novas regras para a criação e funcionamento de empresas municipais, cumprindo um dos pontos do acordo com a troika. O objectivo é moralizar e cortar. A ordem é "entrar a matar": segundo o Expresso apurou junto de fonte do Executivo, com as novas regras mais de metade das empresas municipais poderão fechar portas.
(...) Os principais critérios para a continuidade ou não das empresas municipais que já existem estão definidos: por um lado, a sustentabilidade financeira das empresas; por outro, saber se se sobrepõem a outras empresas municipais ou a serviços e competências das câmaras a que estão ligadas.
(...) Ou sejam, ficam em risco as empresas cujas receitas não cubram as despesas. Mas também ficam na lista negra as entidades que tenham um nível de endividamento ou outros custos fixos (como rendas, por exemplo) insustentáveis a médio prazo."

in "Expresso", 13 de Agosto de 2011




Dias contados para a TERNISA, E.M.? Segundo dados compilados pelo Expresso, em notícia dada à estampa no dia 3 de Junho,  a partir de relatórios da consultora Dan & Bradstreet, a TERNISA apresentava no final de 2009 um capital próprio negativo (ou seja, um passivo maior que o activo) no valor de 330 mil euros, estando assim numa situação de falência técnica.

Já em Abril, o Presidente do Conselho de Administração da TERNISA admitia, em entrevista concedida ao Jornal de Nisa, a existência de um resultado negativo de 400 mil euros referente a 2009, confirmando assim o relatório da D&B, que poderia, ainda segundo o próprio, ascender aos 700 mil euros em finais de 2010.


A forma encontrada para sair desta situação, na falta de interesse dos parceiros privados, foi o aumento do Capital Social da empresa, totalmente suportado pelo Município, aprovado em Reunião de Câmara havida no dia 27 de Dezembro de 2010, no valor de 315 mil euros. Recordo que a CMN detém (ou detinha, desconheço o actual Pacto Social) 87,5% do capital da TERNISA.

Perante este cenário, que futuro estará reservado para a TERNISA? É imperioso que o assunto seja rapidamente agendado para debate na próxima Assembleia Municipal, de modo a elucidar a população do concelho de Nisa, que corre o risco de ver encerrar mais uma empresa, com a agravante de esta ser de todos nós, visto ter sido consituída com o dinheiro dos contribuintes.
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imagem: www.cm-nisa.pt