sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Digam qualquer coisinha...


Quem, para além do blogue, vai tendo a pachorra de me ler no Jornal de Nisa, estará recordado das crónicas aí dadas à estampa nas edições de Maio (“Para lá do Tejo…mandam os que lá estão”) e Novembro (“Milhões e tostões”) de 2010, em que teci críticas várias quer à Naturtejo, quer à Câmara Municipal de Nisa.

Passaram respectivamente 9 e 3 meses desde que dei voz ao meu descontentamento em relação ao modo displicente como o concelho de Nisa vem sendo tratado pela Naturtejo, com a complacência da Câmara. Volvido este tempo, resolvi regressar á sua página electrónica, para verificar se os erros e omissões que, a respeito do nosso concelho, por lá pululavam, já teriam sido corrigidos. Nada, népia, nicles!

À Naturtejo não chegará minha voz, mas à Câmara de Nisa chega! Sei que o blogue é visitado por funcionários e eleitos da Câmara, sei que estes também lêem as minhas crónicas no Jornal e, para além disso, já de viva voz referi este assunto a gente com responsabilidades na autarquia.

Seria de esperar que as informações acerca do concelho de Nisa, por maioria de razão numa empresa em que a CMN é parceira, estivessem correctas. Eu bem sei que, ao lado dos diálogos de surdos das Reuniões de Câmara, das barracadas nas Assembleias Municipais, de quem fica, sai ou é promovido no Mapa de Pessoal e outras questões de suma importância concelhia, esta é certamente uma questão menor, daquelas a que só tipos chatos e minhoquinhas como eu dão atenção, mas aqui fica novo apelo: façam o favor ao concelho de Nisa de, pelo meio que entenderem ser o mais adequado, carta, telefonema, correio electrónico, pombo-correio (peçam ajuda à Columbófila) ou sinais de fumo (se for do “penouco” da Serra de S. Miguel é capaz de ser avistado em Castelo Branco), dizer à Naturtejo para corrigir a informação. O Município, como parceiro da Naturtejo, deve poder fazer algumas sugestões, não? Se não conseguirem digam qualquer coisinha, talvez eu possa ajudar.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

"Vou queixar-me de quê?"

Muitos dos ícones que caracterizam e marcam de forma indelével uma geração, surgem de onde menos se espera e das formas mais inusitadas. Imagens, canções, textos, que reflectem o sentir e os sonhos dos jovens em cada época. Da história portuguesa mais recente recordo um cravo a brotar do cano de uma G3, indissociável de “Grândola, Vila Morena”, uma canção de Abrunhosa, que a juventude da época transformou em hino dedicado, com muito carinho, a Cavaco Silva, “Talvez Foder”, que passava na rádio com a segunda palavra substituída por sonoro apito e, na forma escrita, surgia como “Talvez F…”. Ontem ouvi uma canção que corre o risco de se tornar emblemática para a actual geração mais jovem: “Que Parva Que Eu Sou”, dos “Deolinda”.
Sou da geração sem remuneração
E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou
Porque isto está mal e vai continuar
Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
Sou da geração "casinha dos pais"
Se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, marido, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
Sou da geração "vou queixar-me pra quê?"
Há alguém bem pior do que eu na TV
Que parva que eu sou
Sou da geração "eu já não posso mais!"
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
À geração da esperança, surgida de uma revolução que teve numa flor o seu símbolo, seguiu-se a “geração à rasca”, para alguns a “geração rasca”. Temos agora, no dizer do poema, a geração “sem remuneração”, “da casinha dos pais”, do “vou queixar-me para quê”, do “eu já não posso mais”. Uma geração entre a espada e a parede, encurralada entre promessas passadas e um futuro cinzento, a mais qualificada da nossa história e, simultaneamente, uma das que menos perspectivas de futuro tem.
De todas as queixas desta geração que o poema reflecte, aliás justíssimas, uma incomoda-me: “Sou da geração “vou queixar-me para quê?””. Este desinteresse, esta apatia, que vejo em miúdos de 16 anos tanto quanto em jovens de 25 anos, este baixar de braços, de conformismo, incomoda-me, deixa-me irrequieto, assusta-me e irrita-me. Quando ouço queixas de jovens, e volto a frisar que tenho por justas e acertadas muitas delas, ponho-lhes sempre a mesma questão: o que estás a fazer para alterar a situação? E a resposta é, invariavelmente, … nada! Com as costumeiras justificações: o que é que eu sozinho posso fazer, não vale a pena, não tenho culpa. Porra, que já chateia!
Esta geração está exactamente onde os políticos querem que ela esteja: num canto, entretida com os seus caros brinquedos, resmungando baixinho, em serenas contemplações de umbigo, sem fazer ondas. E volto a um tema que me é caro, o do exercício da cidadania: a alteração da situação de um país, em democracia, começa por fazer-se através da escolha que o voto proporciona. Os últimos dados estatísticos a que tive acesso, referentes à distribuição etária da abstenção, datam de 2002, numa análise do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, que apresenta os seguintes resultados:
 Fonte: CEP, 2002

Nas legislativas de 2002 a taxa de abstenção mais elevada corresponde à faixa etária mais nova, entre os 18 e os 29 anos, atingindo os 39,5%. Desconheço resultados mais recentes, mas pelas conversas que vou mantendo com a juventude cá do burgo, suspeito que este valor tenha crescido.
Afinal em que ficamos: as perspectivas são más, mas ficamos à espera que, por intervenção divina, este estado se altere? Remete-se a culpa para as gerações mais velhas e reduzimo-nos à inércia? Limitamo-nos a brandos queixumes e a encolheres de ombros? É a vida?
Revoltem-se! Gritem o vosso desespero, se é isso o que sentem, porque não é isso que vejo, mobilizem-se, exerçam o vosso direito de voto e elejam quem defenda os vossos interesses. E se os políticos não cumprirem o que vos prometerem, defraudando o sentido do vosso voto, vão para a rua defender a vossa vida e o vosso futuro. Façam greve, não porque é porreiro não ter aulas mas como manifestação de cidadania, candidatem-se a um cargo político, não para ter um “tacho” mas para fazer mudar o sistema por dentro, façam ouvir a vossa voz no Parlamento, nos Governos Civis, nas Câmaras Municipais, nas escolas. Se não vos derem voz, tomem-na. Se vos puserem a mão na boca, mordam. Se for preciso, façam outra revolução, mas, por favor, parem com as lamúrias e façam alguma coisa!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Concelho de Nisa na Campanha "Alentejo - Tempo Para Ser Feliz"


No Verão passado, em data que não recordo, fui contactado pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo. Nos últimos anos vem sendo habitual este contacto, sendo solicitados os meus serviços e conhecimentos acerca do concelho de Nisa, a que correspondo “pro bono” e com manifesto prazer, para por aqui guiar jornalistas, normalmente estrangeiros, dando-lhes a conhecer toda a riqueza e potencial do território. Desta feita, o objectivo era diferente: tratava-se de seleccionar um local para serem feitas algumas fotografias, com modelos profissionais, a serem inseridas na nova campanha de comunicação do Alentejo. Seleccionei como destino as Portas de Ródão, um dos meus locais de eleição no concelho, não só pela paisagem, de tirar o fôlego, mas também pela diversidade de fauna e flora, pela singularidade geológica, um livro aberto da história da terra, pela envolvente histórica, pela gastronomia. Em lá estando e se me dão corda, falo que me desunho, tantos e tão ricos são os motivos de interesse deste local privilegiado.


Recebi hoje pelo correio a brochura da campanha “Alentejo – Tempo Para Ser Feliz”, a assinatura da nova imagem e linha de comunicação criadas para qualificar a Região como um destino de excelência, possuidor de uma oferta turística ímpar. “Férias em família”, “Escapadelas a dois”, “Mochila às costas” e “Seniores activos” são os quatro segmentos-alvo do plano promocional, que visa aumentar a notoriedade do destino e potenciar o crescimento turístico na Região, contrariando a tendência de sazonalidade. Touring Cultural e Paisagístico, Sol e Mar, Gastronomia e Vinhos, Turismo de Natureza, Turismo Náutico, Golfe, Saúde e Bem-Estar e “Resorts” Integrados são alguns dos produtos que compõem a oferta turística da Região, e que são dirigidos quer a casais jovens, seniores, famílias, quer a turistas que procuram férias activas na Natureza ou apenas desfrutar do silêncio.
A brochura prima pelo bom gosto estético, com imagens e textos de grande qualidade. Como não há bela sem senão, de Nisa quase nada consta, constituindo lamentável lacuna a não referência ao Monumento Natural das Portas de Ródão, à rede de 8 Percursos Pedestres, às Termas da Fadagosa de Nisa ou ao Museu do Barro e do Bordado. Também me desagradou o facto de as fotografias não terem legenda. Dito isto, foi com enorme prazer que vi algumas das (muitas) fotografias feitas nas Portas de Ródão naquele glorioso fim de tarde, por sobre o Conhal do Arneiro, com lugar de destaque nesta brochura. Entre tanto e tão belo Alentejo, de Nisa a Mértola, deve ser motivo de orgulho para todos os Nisenses que o seu concelho tenha sido um dos escolhidos para dar rosto à região turística.
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fotografias: Turismo do Alentejo, ERT