sexta-feira, 30 de julho de 2010

Coluna vertebral e... tomates!

Voltei hoje a receber, numa demonstração de muito mau gosto, não pelo conteúdo, a que me vou habituando, mas por terem sido inseridos enquanto comentários na postagem de homenagem a António Feio, novas considerações acerca da minha pessoa, das minhas convicções e da visão que tenho de e para o concelho de Nisa.

Desta feita os mimos eram resultado do que escrevi na minha coluna de opinião no Jornal de Nisa, que na edição deste mês dediquei á relação entre a Naturtejo e a nossa autarquia, bem como à gritante dualidade de critérios, reflectida no número de eventos e actividades da mais variada ordem, na área do Turismo, que decorrem a norte ou a sul do Tejo, com o concelho de Nisa a ser fortemente penalizado em termos de divulgação e possibilidade geração de receita.

Para não variar, não publico tais considerações. Repito, e repetirei à exaustão, que não dou tempo de antena a quem se esconde atrás do anonimato. Aqui, como no Jornal, assino o meu nome e respondo por cada vírgula que escrevo. No jornal dou também a carantonha, porque entenderam por bem botar lá o meu retrato.

Quem não me conhecia pelo nome ficou a conhecer-me pelo rosto. Aos que me têm enviado comentários anónimos, sugiro que olhem com atenção para a minha foto: se repararem bem, tenho os ombros largos, o nariz comprido, e, embora não se veja na dita, meço 1,75m, características que me tornam bem visível tanto de frente como de perfil, o que os deixa sem poderem dizerem que pretendiam falar comigo mas não me viram na rua. Se perguntarem por aí, dir-vos-ão que sou pessoa cordata, nada dado a conflitos e muito menos à violência, pelo que, se vos aprouver, estarei à vossa disposição para discutir as minhas opiniões. A terra é pequena, toda a gente sabe onde moro, e sabe também que tenho a porta aberta entre as 08:00 e as 24:00. Se forem tímidos têm ainda a possibilidade de enviar os vossos comentários para o jornal, como é evidente acompanhados da vossa identidade, que será, se assim o entenderem, reservada, onde serão publicados na coluna disponível para o correio dos leitores, intitulada “Vox Pop”, a menos que razões de espaço o impeçam.

Tenho a firme certeza que nenhum dos que me tem enviado os comentários anónimos seguirá alguma das sugestões que acabei de fazer. É que para defender sem vacilar aquilo em que acreditamos são necessárias duas coisas, que em absoluto vos faltam: coluna vertebral e… tomates!

Adeus António...

António Feio (1954-2010)

"Se há coisa que eu costumo dizer, é: aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. Apreciem cada momento, agradeçam e não deixem nada por dizer, nada por fazer."
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texto: excerto do comentário de António Feio ao filme "Contraluz"

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Solidário ou solitário?


Aos 16 anos, com uma mão-cheia de outros sonhadores, fui sócio-fundador de uma Associação Cultural, Desportiva e Recreativa. Foram tempos épicos, de noitadas e fins-de-semana de trabalho, de negociações com dirigentes autárquicos, com o FAOJ (hoje IPJ), de divulgação junto da população local. Um ano após a sua fundação, a Associação tinha constituído um Grupo de Teatro, um Rancho Folclórico, uma equipa de futebol a competir no campeonato do INATEL, pela primeira vez se proporcionou a jovens a participação num acampamento e o contacto com desportos como a canoagem, pela primeira vez os mais velhos tiveram a oportunidade de ver cinema (projectado na parede caiada da igreja paroquial, com cada um a trazer a sua cadeira de casa), para além de termos criado um jornal mensal.

Volvidos poucos anos, todo esse trabalho tinha caído por terra, restando a equipa de futebol. Questionei a Direcção de então acerca do sucedido. A resposta foi que não havia voluntários em quantidade suficiente, que mal tinham conseguido arranjar elementos suficientes para formar a Direcção, quanto mais gente para trabalhar nas secções. Como não me reconhecia já na Associação, desvirtuada de tudo aquilo que me tinha levado a lutar por ela, solicitei a minha desvinculação da mesma. Desde então, colaborei com uma Associação de Bombeiros Voluntários, fui dirigente de uma Associação de Moradores (também como sócio-fundador) e de uma Associação de Juventude, para além de ser sócio em algumas outras.

Enquanto antigo dirigente, tive oportunidade de falar com outros dirigentes que me manifestaram as dificuldades que encontram na sua actividade associativa. Dessas dificuldades há uma que sobressai - a dificuldade em arranjar pessoas disponíveis para fazer parte dos Órgãos Sociais, particularmente das Direcções.

Pela minha parte, o que sinto é a necessidade de reflectirmos sobre esta situação e tomarmos medidas. A esmagadora maioria dos Dirigentes Associativos é voluntária, trabalhadores por conta de outrem. As relações laborais em Portugal têm vindo a ser sucessivamente alteradas em prejuízo dos trabalhadores, ao ponto de um Dirigente não poder garantir, com certeza, a sua disponibilidade mental e temporal para o exercício da actividade associativa. A precariedade, a deslocalização, a flexibilização dos horários, contribuem para destruir toda a teia de relações sociais, ao ponto de desestruturar as famílias, os grupos de amizade, as relações sociais de proximidade e de pertença.

A lei 20/2004 - Estatuto do Dirigente Associativo Voluntário, que no art.º 2º menciona que a mesma “estabelece o regime de apoio aos dirigentes associativos voluntários na prossecução das suas actividades de carácter associativo”, concedendo aos mesmos a possibilidade de tratar de assuntos da sua Colectividade no período normal de trabalho (crédito de horas), quando é evocada, ou é interpretada da forma menos favorável aos trabalhadores ou lá vêm as ameaças veladas e em tom intimidatório "ou trabalhas aqui, ou és dirigente associativo...tens que escolher". Claro que perante estas situações, muitos dirigentes nem chegam a usar o direito que a lei consagra.

As associações actuam no vácuo produzido pela insuficiência dos apoios familiares e institucionais, e do claro propósito dos governos e autarquias de deixar sob responsabilidade da iniciativa privada a resolução de alguns dos problemas que essa insuficiência origina.

Vivemos um momento de crise, de crise económica mas também de crise de valores, fruto de uma sociedade materialista, em que poucos se dispõem a abdicar do seu tempo em prol dos outros, de forma gratuita e desinteressada. Começa a ser um verdadeiro milagre encontra pessoas que, ao longo de muitos anos, por vezes uma vida inteira, dedicaram os seus tempos livres a uma causa social, com sacrifício do seu descanso, dos tempos de convívio familiar e por vezes até com prejuízo da sua vida profissional.

Parte do problema é também responsabilidade das associações, com grande parte destas imersas no activismo. A realização das actividades da associação e a sua sustentação ocupam quase todo tempo, não havendo disponibilidade para rever o que se faz e como se vai avançando para alcançar os objectivos. Falta reflexão interna, analise, autodiagnóstico e autocrítica colectiva. Para além disso, carecem de uma estratégia global. Grande parte das iniciativas são pontuais, paliativas, descontinuas… não há projectos globais, nem no que diz respeito à estratégia de abordar os problemas e necessidades sociais com que trabalham, nem no que diz respeito aos seus próprios modelos organizativos.

É cada vez mais difícil motivar os jovens, que preferem ocupar de diferentes formas o seu tempo livre, para o associativismo e voluntariado. É difícil convencê-los a abdicar de parte desse tempo em prol de alguém que muitas vezes não se conhece mas que necessita de apoio, de amparo, de um pouco de companhia, uma palavra amiga, ou tão só ocupar, de modo estimulante, os seus tempos livres.

Ao longo de milénios o Homem uniu esforços, congregando o seu saber e a sua acção em torno de objectivos comuns, graças ao espírito de solidariedade, raiz do movimento associativo e do voluntariado. Perante a crise que estes movimentos atravessam, a questão que hoje se coloca é esta: continua o Homem um ser solidário, ou está em vias de se transformar num ser solitário?
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imagem daqui: http://www.werlife.com/

terça-feira, 27 de julho de 2010

Eureka!


Após exaustiva investigação, daquelas de fazer inveja às melhores que a PJ tem produzido nos últimos anos, seguida de intensiva lucubração, a fazer jus ao mais brilhante raciocínio lógico de Poirot, quase gritei, como o outro que saltou nu da banheira para as ruas de Siracusa, algo que a minha modéstia e sentido de decoro, para além do facto de não estar em Siracusa, me impediram de fazer, eureka, eureka!

Pois é, amigos: conclui por A+B que o município de Nisa, que pensávamos estar pobre como Job, está pior ainda, porque é mais pobre do que todos os outros que o rodeiam. Lá vai o A+B:

A – A CMN justificou a não realização da NISARTES em 2010, e cito, “por falta de financiamento”. Continuando a citar: “Como é lógico, após a imposição de cortes orçamentais à Câmara, eu não vou cortar no investimento, nem noutros custos de funcionamento. Portanto, decidimos que os cortes tinham que ser feitos na Nisartes”.

B – Todos os concelhos que rodeiam Nisa, queixando-se também da falta de verbas, e quem se não queixa, mantiveram a realização das suas feiras: Vila Velha de Ródão (25, 26 e 27 de Junho), Gavião (16, 17 e 18 de Julho), Crato (entre 25 e 28 de Agosto) e Castelo de Vide (que realiza várias feiras temáticas por ano, um modelo que me agrada, estando em agenda a “Feira de Artes e Cultura”, a 31 de Julho, e o “Mercado Medieval, a 3, 4 e 5 de Setembro).

Perante este cenário, das duas, uma: ou a CMN é o vizinho mais pobre da paróquia, ou as outras autarquias, também elas na penúria, ensandeceram e, nos estertores da morte financeira anunciada, têm delírios de extravagância e despesismo. Na realidade, se calhar será das três, uma: lembrei-me agora que existe também a possibilidade de a CMN ter as vistas curtas. Uma coisa assim do género do pastor que tem um rebanho e que, no pino do verão, quando as ovelhas têm mais sede e a água escasseia, para poupar água e em vez de abrir novo furo, deixa de dar de beber às ditas.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A César o que é de César, a Deus o que é de Deus...

Informação da "Lusa": A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) discordou hoje do alargamento do horário das grandes superfícies ao domingo, afirmando que o lucro não deverá sobrepor-se aos valores familiares".

Aguardo comunicado da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) discordando das missas às 10 da manhã, afirmando que a religião não deverá sobrepor-se aos valores da economia de mercado e da recuperação económica do país.

Estudante ou "escolante"?



Acerca da alteração do Estatuto do Aluno, hoje aprovado no Parlamento, com votação a favor do PS e CDS/PP e votos contra dos restantes partidos (e estou curioso acerca do que os últimos dirão a este propósito), afirmou Pedro Feijó, porta-voz da "Delegação Nacional das Associações de Estudantes do Ensino Básico e Secundário": "Continua a ser uma listagem de maneiras de punir os alunos e não uma forma de integrar os estudantes na participação democrática nas escolas".

Em finais dos anos 70 e início dos anos 80 do século passado participei, como muitos outros da minha geração, em algumas lutas estudantis, que tiveram como consequência, no meu caso pessoal, a aplicação de medidas disciplinares por parte das escolas, detenção pela polícia e sérios problemas em casa. Lutei primeiro, numa das escolas que então frequentei, porque na mesma não existia uma área para a prática de desporto, um mero campo ao ar livre que fosse, sendo a disciplina de Educação Física puramente riscada do programa escolar. Lutei, mais tarde e noutra escola, porque as aulas decorriam em pavilhões pré-fabricados, sem climatização - no Verão abriam-se todas as janelas e a temperatura era suportável, mas no Inverno, nos dias mais frios, pura e simplesmemte não conseguia segurar a caneta nos dedos, existindo apenas um pequeno aquecedor a gás para toda a sala, utilizado pelos professores. Numa outra escola lutei ainda porque não existia um laboratório de Física/Química, o que prejudicava de sobremaneira o nosso desenvolvimento nessas matérias.

As formas de luta em que participei passaram pela greve, pelo bloqueio dos portões das escolas e das salas de aula, pela invasão de reuniões de Conselhos Directivos e até de uma Assembleia Municipal. Havendo Associações de Estudantes nas escolas que então frequentei, que normalmente desencadeavam e lideravam estas acções, e sabendo todos nós a manipulação que alguns partidos políticos faziam dessas estruturas, situação de que sempre me desmarquei, nunca integrando nenhuma lista (desde pequenino que não gosto nem de rédeas nem de antolhos), não deixei de estar na linha da frente quando achei que era o momento de dar a cara à luta e o corpo ao manifesto.

Nunca em momento algum me passou pela cabeça questionar a disciplina dentro da escola, a hierarquia que a caracteriza, o respeito por professores e funcionários. Muito menos me lembrei alguma vez de questionar o regime de faltas ou a exigência dos programas escolares. Para mim sempre dado adquirido que quem falta deve chumbar, que quem não tem mérito reprova e que quem falta ao respeito a um professor ou funcionário arca com as consequências. O que me chateava e tirava do sério eram as péssimas condições que acima descrevi, as aulas de algumas disciplinasc omeçarem em Novembro ou Dezembro porque não havia professores suficientes, não ter biblioteca condigna ou estar numa turma com 40 alunos, como chegou a acontecer.

Foi hoje aprovada legislação que corrige a balda do anterior diploma, introduzindo no novo articulado medidas que recuperam a distinção entre faltas justificadas e injustificadas e que permitem reduzir os prazos dos procedimentos disciplinares, e Pedro Feijó fala em... maneiras de punir alunos. Volta a ser dada a devida importância à assiduidade, à autoridade do professor, à disciplina e ao mérito, e Pedro Feijó fala em... défice democrático nas escolas.

Creio que a diferença é que eu era estudante, aquele que estuda, e o jovem senhor Pedro Feijó, que não conheço mas é para mim voz emblemática dos valores de parte da sua geração, deve ser "escolante", ou seja, deve limitar-se a ir passear os livros à escola, esperando que certo laxismo que por aí vai grassando ou intervenção divina, paga com romaria ou vela, o façam passar de ano. Dito isto, devo acrescentar que nada me supreenderá se este jovem senhor, daqui por uns anos e com uma licenciatura num dos muitos cursos superiores da treta que por aí pululam,  com a bagagem de demagogia e populismo que já leva, chegasse a ministro. Está no bom caminho.
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imagem daqui: http://edsonrodrigues.wordpress.com/2009/02/03/estudante-universitario/

terça-feira, 20 de julho de 2010

Bufarinheiros


Imaginem um agregado familiar de 4 pessoas: casal e dois filhos em idade escolar. A mulher ficou recentemente sem trabalho, por encerramento da fábrica onde laborava, e o marido ganha cerca de 900 euros por mês. Contrairam um crédito à habitação e outro ao consumo, para aquisição de uma viatura, que estão a pagar, e lhes subtrai cerca de 2/3 do rendimento mensal. A isto acrescem despesas com a educação dos filhos e as despesas correntes de casa. No fim do mês pouco ou nenhum dinheiro sobra, quando sobra. Temos o caldo entornado.

Esta família tem que chegar a um consenso, reunindo em conselho familiar, ponderando as opiniões de todos, filhos incluidos, para rapidamente encontrar modo de fazer face à crise: urge fazer opções de estilo de vida, tomar decisões, de modo a reduzir a despesa ou aumentar o rendimento. Como o aumento de rendimento não se afigura possível a curto/médio prazo, a solução passa pela redução da despesa: a família precisa de decidir se vai ou não de férias, se mantém as saídas ao fim-de-semana, se mantém as actividades de tempos livres dos filhos, se prescinde da televisão por cabo, se vai renovar o guarda-roupa, se vai utilizar menos a viatura, como pode reduzir as facturas da água e electricidade, enfim, um sem número de escolhas.

Continuemos a imaginar. Em vez de fazer o que acima descrevi, esta família começa a discutir todos os dias, trocando acusações, levando ao limite a expressão "casa onde não há pão, todos ralham, ninguém tem razão." Mais: a família começa a discutir quem é que afinal manda lá em casa e quais são os limites desse poder. As decisões que a poderiam salvar vão ficando para as calendas gregas e a crise acentua-se.

Agora imaginem um país em crise e alguns dos seus orgãos de soberania, aqueles que têm nas mãos a responsabilidade de conduzir o país a bom porto, função para que foram eleitos: Presidência da República, Parlamento e Governo. Resolver a crise? Cortar na despesa pública? Não. Vamos antes apertar o cinto da classe média e discutir a revisão da Constituição. Não vou entrar pelos chavões da "perda das conquistas de Abril" e dos "direitos inalienáveis dos trabalhadores". 

Querer, com uma campanha presidencial a decorrer, alterar as competências do Presidente da República, não lembra ao diabo. Querer ainda alterar o actual sistema político, que funciona porque existe um equílibrio de poderes tripartido, atribuindo mais peso político a qualquer um dos três orgãos, com consequências de difícil previsão, mas desde logo diminuindo o papel dos cidadãos na regência do país, é mexer num ninho de vespas.

Pior ainda: em plena crise económica e financeira, com gravíssimas repercursões sociais, querer reduzir, quando não abolir,  direitos consagrados na Cosntituição nas áreas do trabalho, educação e saúde, é injusto e imoral. Discordo de alguns dos artigos da legislação laboral vigente, que em muitos casos permite e favorece os baixos índices da produtividade que temos, prejudicando gravemente a sustentabilidade das empresas e a economia nacional. Mas a sua alteração, no actual cenário sócio-economico, terá como consequência  que muitos empresários sem escrupúlos retirem ainda mais direitos aos trabalhadores, agravando a precaridade do emprego e a redução dos salários.  Apesar de todos sabermos que os artigos da Constituição que preconizam a criação um sistema de ensino gratuito e de um sistema de saúde tendencialmente gratuito são, há muito, letra morta (perguntem a qualquer pai que paga a educação dos filhos ou a qualquer cidadão que necessite de cuidados de saúde), mandam a decência e a vergonha que não se prejudique ainda mais quem já está a suportar, quase exclusivamente, os custos da crise.

Mais uma vez a jogatana política ganha terreno à seriedade política, porque ninguém me tira da cabeça que o PSD avança com esta proposta apenas com o fito de a utilizar como "moeda de troca", aquando da apresentação pelo Governo do  próximo Orçamento de Estado. Para chegar ao Orçamento que pretende, e sabendo que o mesmo não poderá se aprovado sem a sua concordância, o PSD apresenta propostas de alteração de artigos da Constituição que sabe serão liminarmente recusados pelo PS. Se o Governo quiser ver aprovado o próximo Orçamento, terá o PS que fazer cedências na aprovação da revisão Constitucional. Aprovar-se-á o Orçamento de Estado com o PS a ceder em alguns pontos, porque o PSD vai ceder em outros na Revisão Constitucional.

Um negócio ao género do feito pelos magrebinos que por vezes encontro na rua e me pedem 50 euros por algo que eu sei, e eles também,  não vale 1/3 disso, e acabará, após o regateio da praxe, por ser vendido por 10 euros. Em vez de políticos, temos bufarinheiros
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imagem: "A Política: a Grande Porca", caricatura da Rafael Bordalo Pinheiro

domingo, 18 de julho de 2010

Bayethe Baba Mandela!


"Lutei contra o domínio branco e lutei contra o domínio negro. Acarinhei o ideal de uma sociedade democrática e livre, onde todas as pessoas vivam juntas em harmonia e igualdade de oportunidades. É um ideal para o qual espero viver e atingir. Mas, se necessário, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer." Não foi o único. Mas foi o rosto de uma luta que ainda não terminou. Sofreu na pele o flagelo do "apartheid" sem esmorecer. Libertado, foi presidente da RSA e soube sair coberto de honra e glória, sem cair na tentação de se agarrar ao poder como tantos dos seu congéneres africanos. É a todos os títulos um senhor, alguém que respeito profundamente.


Por consenso dos 192 países membros, em Novembro de 2009 a Assembleia Geral da ONU determinou que, a partir de 2010, se  celebrasse o Dia Internacional de Nelson Mandela, a 18 de Julho, na data do aniversário do dirigente negro que, em 1993, partilhou o Prémio Nobel da Paz com o seu compatriota sul-africano Frederik de Klerk. A Assembleia Geral decidiu assim reconhecer, pela primeira vez a um individuo, a contribuição fundamental de Mandela, nascido em 1918 na pequena vila de Mvezo, para a resolução dos conflitos, a liberdade no mundo e a promoção das boas relações entre todos os grupos étnicos e pela contribuição para a cultura da paz e da liberdade.


Nelson Mandela faz hoje 92 anos. Bayethe Baba Mandela!!!

sábado, 17 de julho de 2010

Menina não entra


Quem me faz o favor de ir tendo paciência para me ler, já saberá por esta altura, que sou agnóstico empírico. Quer isto dizer que admitindo a possibilidade teórica da existência de um ou mais deuses, aguardo que alguém me prove essa existência. Diz-me gente de várias religiões com quem vou trocando impressões que elas, as provas, estão por toda a parte. Estarão, mas são provas que carecem de um pressuposto para ser aceites: a existência de fé. E aqui é que a porca torce o rabo: como posso eu, que não sou crente, ter fé? E não a tendo, como irei aceitar tais provas? Este círculo vicioso só será quebrado se e quando me apontarem uma prova empírica, o que duvido venha acontecer.

Tendo esta posição filosófica, e sendo, por natureza, tolerante, todas as religiões me merecem o mesmo respeito. Aprecio até uma boa discussão teológica, que normalmente termina no tal muro que me separa dos crentes: a fé. Serviu todo este arrazoado para dizer que, porque não me acho com esse direito,  não me meto em terrenos que são do domínio da fé e dos seus dogmas, reservando-me o direito de opinar sobre assuntos profanos, ainda que dimanados da hierarquia de alguma religião. Ou seja, longe de mim questionar que Maomé é o último profeta de Deus, que o Dalai Lama é a reencarnação de Buda, que o tempo do Messias dos Judeus ainda não chegou ou que Jesus é filho de uma virgem.

Foram recentemente dadas à estampa notícias referentes a um documento divulgado pelo Vaticano que actualiza a Lei Canónica, intitulado "Normas sobre os crimes mais graves". Nesta actualização, a primeira desde 2001, têm particular relevo as alterações relacionadas com os delitos cometidos contra a moral (relativa a sacerdotes e laicos) ou na celebração dos sacramentos (exclusiva dos sacerdotes). De um vasto rol de crimes canónicos, como a heresia e o cisma, aos crimes que caem na alçada dos códigos penais, como a pedofilia e o abuso sexual de pessoas psiquicamente incapacitadas, esta nova Lei Canónica reforça posições já assumidas por João Paulo II (Carta Apostólica "Ordinatio Sacerdotalis", 1994) relativamente à ordenação de mulheres.

Sobre o estabelecimento de regras mais severas para combater os abusos sexuais, uma medida que visa suster escândalos sucessivos que, um pouco por todo o mundo, vêem assolando a Igreja Católica (e já aqui referi, em postagem anterior, que não tomo a nuvem por Juno),  é minha opinião que andou bem o Vaticano, assumindo uma posição que tardava, embora o documento não seja explícito quanto à obrigatoriedade de denúncia de tais crimes às autoridades civis.

Quanto à questão da ordenação de mulheres, também considerado um dos crimes mais graves, punindo com a excomunhão tanto a mulher que tentar ser ordenada como o bispo que o fizer, é minha opinião que se trata de uma gritante atitude discriminatória. A Congregação da Doutrina da Fé do Vaticano, consultada em 1995 sobre esta questão, respondeu que a discussão desse assunto deve ser encerrada na Igreja, e que os católicos e católicas devem aceitar na “obediência da fé” esse ponto de doutrina que o Papa e o magistério da Igreja definiram como verdade de fé. Ou seja, é entendimento desta Congregação que esta decisão tem carácter definitivo e irrevogável .

O suporte teológico desta posição tem a ver com o facto de, segundo a Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja, em relação ao sacramento da Ordem, nem Jesus Cristo nem algum sucessor do Apóstolo Pedro terem alguma vez conferido a ordenação sacerdotal a mulheres, tanto entre os cristãos ocidentais como entre os orientais. Baseia-se ainda no procedimento do próprio Cristo, que não chamou mulheres para a Última Ceia (na qual instituiu e conferiu o sacramento da Ordem). Segundo João Paulo II,  a Igreja não tem autorização para mudar este ponto: “Para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição da Igreja divina, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos, declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”.

Discordo que seja esta uma questão de fé, muito menos uma questão de ordem moral, mas tão somente de uma tradição, uma prática há muito estabelecida, com a Igreja-instituição (para mim diferente da Igreja-conjunto dos crentes) a adoptar o sistema patriarcal que encontrou vigente no mundo judaíco-greco-romano, de difícil defesa teológica, existindo na Sagrada Escritura argumentos que permitem defender uma e outra posição.

Em 1997 foi divulgado um estudo sobre «Os Leigos e a Reforma na Igreja» realizado entre católicos na Alemanha, Espanha, Irlanda, EUA, Itália, Polónia e Filipinas. A pergunta «Estaria a favor ou contra que o próximo Papa autorizasse a ordenação sacerdotal das mulheres?», colheu as seguintes percentagens de respostas favoráveis: na Alemanha (71%), Espanha (71%), Irlanda (67%), EUA (65%), Itália (58%), Polónia (24%) e Filipinas (18%). A mesma questão foi colocada a uma amostra representativa de católicos em Portugal, em 1998, tendo 71% respondido favoravelmente.

A Igreja-conjunto dos crentes pronunciou-se, mas a Igreja-instituição mantém a irredutibilidade de uma posição misógina e com falta de sentido evangélico, esquecendo  que as mulheres abriram novos espaços de afirmação e de identidade, prestando, em termos quantitativos e qualitativos, uma imensidão de serviços ao próximo, em todas as zonas do mundo, serviço esse que se mantém em grande medida invisível.

Dito isto, resta-me acrescentar que ser Católico Apostólico Romano (Católico porque a Igreja é universal, Apostólico porque deve difundir o Evangelho, Romano porque aceita o primado do Bispo de Roma) implica aceitar, na íntegra e sem questionar, todas as normas e dogmas estabelecidas pelo Vaticano. Confundem-me aqueles Católicos que se dizem não-praticantes, que é coisa que não concebo, ou aqueles que não aceitam a infalibilidade do Papa em questões de fé. Não se pode estar com um pé dentro e outro fora. Eu posso questionar, como acabo de fazer, decisões do Papa. Um Católico não. Se discorda de algo tem apenas duas soluções: ou adere a outra Igreja, em que veja reflectidas suas convicções pessoais, ou realiza a sua ligação com o divino a título pessoal, sem se vincular a religião alguma.

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imagem daqui: http://www.limacoelho.jor.br

terça-feira, 6 de julho de 2010

Altruísmo

Alma altruísta e modesta, tão modesta que preferiu ocultar o nome, vem deixando comentários em algumas das minhas últimas postagens, que evidentemente não publiquei, por razões que já aqui expus. Em tom curto, claro e conciso, numa linguagem desempoeirada, vem tecendo considerações várias acerca da minha pessoa e de alguns dos meus familiares mais próximos.

Cometeu no entanto alguns erros grosseiros, que corrijo agora, de modo a que, em futuros comentários não incorra no mesmo. Eis alguns dos epítetos com que me mimoseou e a respectiva correcção:

- "pára-quedista": lamento, mas não. Apesar de ter prestado Serviço Militar Obrigatório, fi-lo servindo durante dois anos, com orgulho, na Marinha de Guerra Portuguesa;

- "importado": essa já está um bocadito batida, não acha? Mas, se lhe agrada, olhe, continue;

- "ignorante": concordo perfeitamente! Aquilo que eu sei, comparado com o que desconheço, é uma gota de água num oceano;

- "vendido": até ao presente, não. Mas como costumo dizer, se calhar ainda não me ofereceram valor que chegasse. Isso de dizer desta água não beberei é coisa complicada;

- "vira-casacas": se há coisa que nunca usei, foi casaco reversível. Acho até de mau gosto, assim do género da peúga branca com sapato preto. Além disso, sou mais de andar de t-shirt;

- "cabrão": coisa que não se refere a mim, mas à minha mulher. Por descargo de consciência e respeito para consigo,  perguntei-lhe: ela jura que não. Eu acredito nela;

- "filho da puta": outra coisa que não se refere a mim, mas à minha mãe. Também por descargo de consciência, e novamente por respeito para consigo, perguntei-lhe: ela jura que não. Eu acredito nela;

- "comuna": lamento, mas não sou membro do muito digno Partido Comunista Português. Ideologicamente sou mais de esquerda do que de direita, mas ainda não encontrei chinelo que me servisse. Tenho cá uma destas alergia a rótulos;

- "mentiroso": coisa para discussão filosófica, porque não refere exactamente acerca do que menti. Assim é complicado! Elabore mais sobre o assunto e talvez cheguemos a alguma conclusão;

- "pelintra": não nado em dinheiro, mas caramba, tanto também não! Chame-me remediado e ficamos por aí;

Agora que já esclarecemos algumas coisas, se pretender continuar a sua missão de boa samaritana, faça favor. Interessante mesmo seria vir ter comigo e dirigir-me os mimos acima, e outros que entender por bem, de viva voz. Mas compreendo: eu poderia aproveitar-me da tanta generosidade e cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Gabo-lhe a sensatez. De qualquer modo recordo-a  que as ruas têm, por norma, dois passeios.

Dois conselhos para futuramente conseguir manter o seu anonimato:

1 - Não se refira a si própria no feminino;

2 - Não comente simultâneamente em vários blogues, como anónima ou sob pseudónimo, repetindo uma e outra vez os mesmos erros de português, ainda por cima quando já lhos corrigi várias vezes, durante as aulas que lhe dei, lembra-se? Identifiquei-a do mesmo modo que então, quando não precisava de olhar para saber quem copiava, porque conhecia os formandos pela sua escrita.

PS: fique tranquila, porque guardarei o seu anonimato. Não quero que alguma das pessoas a quem estendeu a mão lhe queira agradecer pessoalmente. Lá se ia a sua modéstia!

A23 - Tomada de Posição da Assembleia Municipal de Nisa


Foi há momentos publicada, na página electrónica da Câmara Municipal de Nisa, uma Tomada de Posição da Assembleia Municipal, aprovada na reunião ordinária de 28 de Junho, acerca da instalação de portagens na A23, declarando-se contra as intenções do Governo, a quem pretende dar conta, bem como a outros orgaõs de soberania, desta decisão.

Congratulo-me com a opinião expressa pela Assembleia, primeiro porque vem de encontro aquilo que penso, segundo porque foi tomada por unanimidade, algo crucial num assunto desta importância para o Concelho. Pena que esta unanimidade não se estenda a outros temas de igual impacto na vida da população concelhia.
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fonte: http://www.cm-nisa.pt/

domingo, 4 de julho de 2010

Eu não sou jornalista


Sou acérrimo defensor da Liberdade de Imprensa, um dos princípios pelos quais um Estado de Direito se deve reger, um dos pilares da Democracia. Os jornalistas, no desempenho das suas funções, têm papel de relevo na denúncia de actos de má governança, dando-os a conhecer ao público.

Em Portugal a conduta dos jornalistas rege-se por um Código Deontológico de 10 pontos, aprovado em 4 de Maio de 1993. Existe ainda o Estatuto do Jornalista (Lei 1/99 de 13 de Janeiro), onde os seus deveres e direitos são descritos. Transcrevo aqui o primeiro artigo do Código Deontológico dos Jornalistas, em minha opinião mais importante que a própria Lei, porque nele os próprios expressam os princípios éticos que devem reger a sua conduta:

"O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público."

Sublinhei a negrito as palavras "rigor", "exactidão", "notícia" e "opinião", porque alguns jornalistas, seja por necessidade de protagonismo, má formação ou agenda de algum tipo, embarcaram numa viagem sem retorno, fazendo tábua rasa de todo e qualquer princípio ético, esquecendo-se do seu significado, numa postura obscena que desonra e mancha a classe. Mais grave ainda, alguns fazem-no alegando o direito do público à informação e a busca da verdade.

Manuela Moura Guedes (MMG) está entre o rol dos que praticam este jornalismo execrável. Ao longo de anos, no palco privilegiado que é um jornal numa estação televisiva, ainda que sensacionalista e barata, foi atropelando tudo à sua frente, atirando a tudo o que mexia, sem rigor nem exactidão, e muito menos distinguindo notícia de opinião.

Acima da Liberdade de Imprensa está a Liberdade de Expressão. MMG tem o direito de se expressar como, onde e quando quiser, excepto quando está no desempenho da sua profissão. Aí está obrigada a noticiar e não a opinar, como vimos em muitas ocasiões, de que relembro aqui o espectáculo degradante que foi a entrevista a Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados.

José Sócrates, Primeiro-Ministro (PM) de Portugal esteve na mira de MMG durante vários meses. Ainda que, e isso ainda está por provar, os "factos" revelados acerca do PM fossem verdade, o modo como foram trazidos a público, num tom jocoso e depreciativo, com dichotes mais ou menos indirectos a pontuar cada reportagem ("pelos vistos José Sócrates, lá no seu alto e com os seus olhos castanhos, tem memória curta", ou "é por estas e por outras anedotas que o nosso país continua a ser muito... especial", MMG dixit), bastariam para transformar o Jornal Nacional num "freak show" e MMG em comediante, ambos prestando um mau serviço público, absurdo e indigno.

José Sócrates disse alto e bom som o que pensava do Jornal Nacional em geral e de MMG em particular. Iam caindo "o Carmo e a Trindade" porque, em Portugal, pelos vistos, um Primeiro-Ministro (ou, para este efeito, qualquer político titular de cargo público), tem que comer e calar! Ou seja: uma jornalista pode emitir opiniões, em local e momento onde o não deveria fazer, mas um Primeiro-Ministro não tem direito a ter opinião e a torná-la pública.

MMG sentiu-se injuriada, apresentou queixa contra o PM por difamação e o Ministério Público instaurou o respectivo processo, que agora deu por encerrado, entendendo não existir matéria para deduzir acusação. Perante isto MMG volta à carga, considerando "interessante" o desfecho do caso, e afirmando que "nos últimos tempos, quando se trata do Primeiro-Ministro a lei tem tantos nós que já não sei." Ou seja, depois de ter levantado suspeitas, que, volto a frisar, ainda estão para ser provadas em sede própria, sobre o PM, deixa agora no ar acusações veladas aos Tribunais e aos juízes, revelando o que parece ser uma especial sanha contra alguns orgãos de soberania e os seus representantes.

Reafirmando que sou acérrimo defensor das Liberdades de Imprensa e Expressão, sou também acérrimo defensor de um jornalismo isento, claro e conciso. Os artigos de opinião, que muito prezo, até porque dou modesto contributo nessa área, têm o seu lugar, importante sem dúvida, desde que fique claro para o público que é disso que se trata. Informação travestida, desvirtuada, jornalistas sem sentido ético, inebriados pela visibilidade e força que têm os media, constituidos em paladinos da verdade, não obrigado.

Isto não é o Jornal Nacional, não sou jornalista e esta é a minha opinião.
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imagem daqui: http://publico.pt

sábado, 3 de julho de 2010

Tava na cara, né?


Recordo com clareza, até porque estava em causa uma aposta a ser degustada em local a combinar, o momento em que o meu sogro, aquando do lançamento do livro de Carolina Salgado, "Eu, Carolina", onde produzia declarações bombásticas acerca do seu ex Pinto da Costa, um dos homens mais influentes do futebol português, me dizia que finalmente se tinham chamado os bois pelos nomes, a verdade sobre a personalidade manipuladora de Pinto da Costa seria finalmente revelada e os seus actos condenados pela Justiça. Devo acrescentar que o meu sogro, como qualquer benfiquista que se preze, tem um ódio figadal a Pinto da Costa.

Decorria o ano de 2006, e ao longo do livro, para além da descrição de algumas cenas de faca e alguidar, com alegações de presumíveis agressões com ameaças de morte à mistura, Carolina Salgado acusa Pinto da Costa de subornar árbritos, que receberiam dinheiro e favores de "meninas" como recompensa (continuo a achar que menina é outra coisa e que ainda não se inventou melhor eufemismo para puta que o francês "filles du trottoir"), e de ser o responsável pelas agressões ao vereador socialista da Câmara de Gondomar, Ricardo Bexiga, tendo-lhe pedido para fazer os contactos necessários para contratar alguém que desse uma lição a Ricardo, já que tinha sido ele o autor das denúncias à PJ do processo “Apito Dourado”.

Respondi então ao meu sogro que, findo o que eu esperava fosse um longo processo, Pinto da Costa sairia da situação sem uma beliscadura e Carolina Salgado seria provavelmente condenada.. Seis anos decorreram antes que a Justiça se libertasse da teia em que normalmente se enreda e proferisse sentença: os juízes do Tribunal de S. João Novo, no Porto, condenaram Carolina Salgado por difamação qualificada ao advogado Lourenço Pinto, a quem deverá pagar uma indemnização de 5000 euros.

Não tenho dons divinatórios, mas como dizem os brasileiros, "tava na cara, né?" Para quem duvida que tenha sido feita justiça, recordo que em tribunal não se apura a verdade dos factos tal como se passaram, mas a verdade que resulta da prova feita em tribunal, ou seja uma verdade processual, que pode ou não coincidir com a verdade real dos factos.

E então Ti João, onde é que vai pagar o jantarinho?
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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Ne me quitte pas

Porque há fotografias pensadas para um poema


Ne Me Quitte Pas


Ne me quitte pas, il faut oublier

Tout peut s’oublier qui s’enfuit déjà

Oublier le temps des malentendus

Et le temps perdu à savoir comment

Oublier ces heures qui tuaient parfois

A coups de pourquoi le coeur du bonheur

Ne me quitte pas, ne me quitte pas,

ne me quitte pas



Moi, je t’offrirai des perles de pluie

Venues de pays où il ne pleut pas

Je creuserai la terre, jusqu’ après ma mort

Pour couvrir ton corps d’or et de lumière

Je ferai un domaine où l’amour sera roi

Où l’amour sera loi, où tu seras reine

Ne me quitte pas, ne me quitte pas,

ne me quitte pas



Ne me quitte pas, je t’inventerai

Des mots insensés que tu comprendras

Je te parlerai de ces amants là

Qui ont vu deux fois leurs coeurs s’embraser

Je te raconterai l’histoire de ce roi

Mort de n’avoir pas pu te rencontrer

Ne me quitte pas, ne me quitte pas,

ne me quitte pas



On a vu souvent rejaillir le feuDe l’ancien volcan

qu’on croyait trop vieux

Il est parait-il des terres brûlées

Donnant plus de blé qu’un meilleur avril

Et quand vient le soir pour qu’un ciel flamboie

Le rouge et le noir ne s’épousent-ils pas?

Ne me quitte pas, ne me quitte pas,

ne me quitte pas



Ne me quitte pas je ne vais plus pleurer

Je ne vais plus parler, je me cacherai là

A te regarder danser et sourire

Et à t’écouter chanter et puis rireLaisse-moi

devenir l’ombre de ton ombre

L’ombre de ta main, l’ombre de ton chien

Ne me quitte pas, ne me quitte pas,

ne me quitte pas
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foto: jc
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poema: Jacques Brel
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Apelo


O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, apresentou hoje os Certificados do Tesouro, o novo produto de poupança do Estado, salientando que o aumento da taxa de poupança das famílias é essencial para o reforço da capacidade de investimento da economia portuguesa e também para a redução do endividamento externo do país. O produto será remunerado acima de 5,5% ao final de 10 anos, capitalização máxima obtida, sendo que a menos de 5 anos não é particularmente interessante, ultrapassado por outros produtos financeiros, quer da banca que do próprio Estado.

Trocando isto por miúdos, o que Estado Português pretende é que o povo português lhe empreste dinheiro, a um juro interessante se a longo prazo, para resolver os seus problemas imediatos de liquidez. Assim uma coisa do género de eu ir pedir dinheiro ao meu vizinho para pagar as contas do dia-a-dia, o que me resolve um problema, mas me deixa com outro, se entretanto não encontrar maneira de aumentar os meus rendimentos.

Provavelmente para nos enternecer, Teixeira dos Santos fez  um apelo a todos os portugueses para fazerem um esforço adicional de poupança, afirmando que  "os problemas com que o país se confronta resolver-se-ão em grande medida com o esforço acrescido de poupança de todos nós”.

Já pagamos IRS, SS, IVA (desde hoje acrescido), IMI, IUC, IS, vão ocorrer cortes no Subsídio de Desemprego e no Subsídio Social de Reinserção, a idade da reforma continua a aumentar, a taxa de desemprego soma e segue, querem que paguemos ainda mais portagens e Teixeira dos Santos apela??

Pedir ao comum cidadão de classe média em Portugal, cujo salário bruto ronda os 900 euros, que cumpre todas as suas obrigações fiscais, tem um filho em idade escolar e está a pagar um empréstimo à habitação, que adquira Certificados do Tesouro para ajudar a resolver uma crise provocada pela especulação financeira e por décadas de má governança é, no mínimo, vergonhoso.

Teixeira dos Santos deveria vestir-se de negro e cobrir-se de cinza antes de ter a lata de fazer esta proposta aos portugueses, cujo cinto se aperta cada vez mais, sem vista de réstia de luz ao fundo do túnel.
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A união faz a força


De acordo com notícias veiculadas ontem, o Governo propõe que um conjunto de SCUT, entre as quais se inclui a A23, passem a ter portagens a partir de Janeiro de 2011.

Escrevi há algum tempo que já me aborrece a conversa dos custos da interioridade, desculpa para quase tudo o que tenha a ver com a degradação económica e demográfica das regiões interiores. Mas, a verificar-se a implementação das medidas preconizadas pelo Governo, isso implicará, de facto, que o interior passe a ter custos acrescidos em relação ao litoral, a que se alia uma perda de competitividade efectiva.

A proposta do Governo, prevê isentar do pagamento de portagens nas SCUT, as populações residentes nos municípios com o Indicador do Índice de Poder de Compra (IIPC) concelhio inferior a 100. O IPCC é um indicador estatístico, deduzido a partir de um conjunto de 18 variáveis, que visam caracterizar os concelhos portugueses do ponto de vista do poder de compra.

A A23 (Auto-Estrada da Beira Interior), que liga a A1 à A25, Torres Novas à Guarda, num traçado de 217 km, não atravessa o concelho de Nisa. É hoje no entanto, a principal via de acesso de pessoas e bens ao concelho, provenham eles da Região Norte, da região Oeste ou da Região Metropolitana de Lisboa. Do sul chega-se através do IP2, não sendo no entanto comparável a utilização das duas vias e o seu contributo para a economia do concelho. Apesar disto, os habitantes e empresas de Nisa não ficarão isentos do pagamento de portagem na A23, a menos que o Governo, que já admitiu essa possibilidade, e dependendo da evolução da negociata com o PSD, inclua outros na área de influência das SCUT.

A economia do concelho de Nisa depende em grande medida do fluxo de pessoas e mercadorias provenientes da A23. O IIPC do concelho foi, em 2007, de 64,34, muito abaixo da média nacional, que se cifra em 100. Depois da machadada para a economia local, em alguns sectores, que foi a construção de um pseudo IP (só possui características de IP em alguns curtos troços) na periferia do concelho, da machadada seguinte que foi a construção da A23, adiada para as calendas gregas a construção da ligação entre a A23 e a A6, nova machadada se seguirá, com a nossa população e empresas a terem que suportar mais esse encargo, seja de forma directa, pelo pagamento das portagens, seja de forma indirecta, com o aumento do custo dos produtos e a diminuição do número de visitantes.

Recordo aqui palavras da Presidente da Câmara, Gabriela Tuskamoto, a propósito deste assunto, proferidas em 2004, quando afirmou que “se quiserem pôs as portagens, também se saberá vir para a rua e cortar a A23”. É tempo de agir, de unir esforços com os concelhos da Beira que já vieram a público protestar contra esta intenção do Governo, de a Câmara de Nisa juntar a sua voz ao coro dos que reclamam, de preferência em uníssono.
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fonte estatística: INE, 2007, Estudo Sobre o Poder de Compra Concelhio